quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

39 - CECÍLIA


A rapariga foi rápida a perceber que Álvaro não mergulhou para a salvar. Esse acontecimento não terá passado de um feliz acaso.
A esfera protege-o, mas não a ela nem às suas emoções.
Nesta zona do fundo do lago as areias são das mais brancas que existem, as correntes são menos intensas, não existem tantos sargaços como anteriormente e os percursos deixaram de ser indicados pelos grandes cefalópodes
- Ainda não me batizaste, marinheiro. O mar está lá fora à tua espera, e tu sentes uma vontade imensa em seguir viagem. O que vais fazer? Estás tão preocupado com o destino dos teus camaradas que quase deixaste de reparar em mim. Este grande globo vai ficar aqui parado por mais algum tempo, mas se desejares eu poderei indicar-te o caminho para a cidade. Ela encontra-se bem perto daqui, só preciso que me batizes. Dá-me um nome para não te esqueceres de mim.
Há coisas que são difíceis de entender. Álvaro está surpreendido por ter chegado até este lugar onde a pressão é tremenda, a escuridão reina, e só com guelras se consegue sobreviver.
- Tens razão, vou ter de te dar um nome, pois é essa a tua e a minha vontade. Vou passar a chamar-te Cecília. Este é, de agora em diante, o nome pelo qual passarás a ser conhecida.

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