Cecília acena e Álvaro avança.
Esta etapa da expedição decorre de maneira diferente
daquela que o marinheiro imaginara. A jornada está a ser cumprida através de trejeitos
e passos muito peculiares, principalmente por parte da sua esbelta
acompanhante.
O sopé do monte iluminado encontra-se a uma centena
de passos. O fundo do lago recebe de volta as estrelas do mar que carregam as
últimas dores do viajante. Álvaro vai regressar à cidade neste dia especial, e
desta vez terá de ser capaz de a visitar com mais atenção.
Cecília acena e marca o lugar por onde deverão
começar a escalada até à cidade que já os aguarda no topo da montanha iluminada.
As mãos da jovem, que continua a dançar, ainda não
pararam de ondular. Ela é detentora de uma beleza singular, uma beleza à qual é
difícil ficar indiferente.
- Temos de subir por este lado, marinheiro. Por aqui
a subida será mais fácil. Ali em cima esconde-se uma terra de deuses, foi isto
que me pediram que te dissesse. Tal e qual, com estas exatas palavras, ali em
cima esconde-se uma terra de deuses. Lá no alto ergue-se uma cidade que é reino
de excelsas divindades.
Cecília para de bailar e estende-lhe as mãos,
aperta-lhe com muita força as dela até o vermelho vibrar. Nunca mulher alguma
provocara nele um interesse semelhante. O corpo escultural da jovem dançarina talvez
tenha sido criado na cidade que se preparam para visitar.
- Vamos, temos de nos apressar – diz ela com um
largo sorriso – chegou a hora de subirmos a dançar.
Os dedos felizes da bailarina tocam, ao de leve, no
rosto de Álvaro, antes de darem início à ascensão. Os dedos do marinheiro
atrevem-se pelo pescoço de Cecília e trazem, com delicadeza, o belo rosto redondo
para perto do seu. Os dois dividem um beijo por entre sorrisos. O mar dança com
eles, enquanto sobem por escarpas não muito íngremes que transpõem sem grande esforço.
A meio da subida resolvem descansar. Sentam-se numa rocha saliente evitando olhar
para baixo, fechados num longo e quente abraço.
Se Álvaro e Cecília se atrevessem a olhar, conseguiriam
ter apenas um pequeno vislumbre da imensa extensão das profundezas do grande lago
por onde vagueiam.

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