- E eu sozinha não estava porque a
ti te tinha, e tu sozinho não estavas porque me tinhas a mim, e às tuas serras,
e às tuas estranhas danças, e à tua rara forma de loucura. Resolveste partir, e
regressaste, e agora partiste de vez para tão longe, e eu sozinha estou porque
o destino te convocou. Partiste para esse lugar distante onde habitam as
memórias e as vozes de todos os que não são.
Adelaide desejou que a morte o tivesse
vindo buscar de madrugada, enquanto ele dormia. Desejou que flores brancas e amarelas
pudessem enfeitar os mastros de uma nau feita de papel onde jazeria o corpo do irmão
marinheiro. O navio desapareceria na linha do horizonte onde a lua cheia o esperaria,
a sorrir.

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