As raízes que ali cresceram e se
multiplicaram, penetrantes, longas, sedentas de água e de húmus,
afligiram-se com o estrondo provocado pelo
desabamento e com a escuridão que envolveu o lugar. As luzes das velas apagaram-se
momentos antes da derrocada, e memória alguma lhe terá resistido.
Álvaro morreu! Dona morte bateu-lhe
à porta, arrasou tudo à sua passagem. A carruagem invisível reclamou, finalmente,
a alma do navegador.
Adelaide olhou o horizonte longínquo,
aquela linha que separa a terra do céu e que não se distingue no mar oceano, só
aqui. O vento e o frio incomodaram até as raízes mais profundas e envelhecidas que
ficaram húmidas e negras. Um silêncio sepulcral abraçou o lugar numa espécie de
pesadelo trágico e solitário que a enlouqueceu. A doença atroz cavalgou pelo irmão,
e presto o levou. Nuvens escuras contaram as suas histórias falseando a realidade,
pois a vida é uma mentira, é a maior de todas as falsidades. O irmão partiu pouco
tempo depois de ter regressado ao ponto de partida, àquele vazio que depressa chegou
e onde pouco ou nada aconteceu. Voltou para vestir vestes negras, ingratas e cruéis,
e a irmã teve dificuldade em o reconhecer.

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